Perfil

Organizo imagens no tempo.

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Escrevo sobre documentários e pássaros. O que seria um perfil? O documentário é o andar. E os pássaros? Conheço pouco. Admiro. 24 anos. Uma intenção de cinema. Frases curtas me interessam. O pronome fora do lugar tem o doce da poesia que leio e escuto. Não da poesia dos cosmopolitas. Mas a poesia dos que sou eu também. Por algum descuido ando longe de casa. Entrego tudo que sou aos de casa, minha gente e ao mundo. Ando com a mochila cheia. Sou de Itaperuna – meu sertão de minas? – moro no Rio de Janeiro e ando em Lisboa. Espero outras cidades. Espero ouvir muito de muita gente. Espero andar e contar.

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“A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto”

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Chove no filme.
Pego o meu guarda-chuva e estou salvo.
Nem duvido um minuto.
Choveu hoje.
Eu corria e parei.
Lembrei da criança que queria a chuva.
Voltei a correr como aquela criança que estava presa.
Chovia e eu ria.
Eu vi o “império das luzes”.
Eu vi.
Coisas que só a criança podia ver.
Chove no filme.
Não perco um minuto e pego o meu guarda-chuva.
Então eu procuro em tudo:
A criança
E o homem que abriu seu guarda-chuva
Diante da tela
Diante da chuva.

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Eu quero o tempo das coisas

Eu quero o tempo das coisas
Como as coisas que acordei vendo
Não o meu tempo que irrespeita
O tempo que tenho no pulso

Eu quero o tempo da mesa.
Simples e com todo o tempo
Que não tem no pulso

Não quero o meu tempo assustado
Cansado
Um tanto quanto absurdado

Eu quero o tempo de lá
Que falta cá
Onde encontrei
Meu tempo de hoje

Eu quero o tempo da mesa.
O tempo da mesa

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Não há muitos jantares no mundo, já sabias,
e os mais belos frangos
são protegidos em pratos chineses por vidros espessos.
Há sempre o vidro, e não se quebra,
há o aço, o amianto, a lei,
há milícias inteiras protegendo o frango,
e há uma fome que vem do Canadá, um vento,
uma voz glacial, um sopro de inverno, uma folha
baila indecisa e pousa em teu ombro: mensagem pálida
que mal decifras
o cristal infrangível. Entre a mão e a fome,
os valos da lei, as léguas. Então te transformas
tu mesmo no grande frango assado que flutua
sobre todas as fomes, no ar; frango de ouro
e chama, comida geral, que tarda.

C.D.A

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Um passaporte Húngaro

Existe uma canção muito bonita no alemão que diz:
Se eu pergunto para um viajante:
Para onde você vai?
Ele vai dizer alegre:
Eu vou para casa!
Mas se a gente pergunta:
De onde você vem?
Ele vai dizer triste:
De casa.

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